Acabei de voltar de viagem, e vim com vídeos e fotos do pequeno. Aliás, dos pequenos, porque não é só a madrinha que é coruja, a tia também. Mas por agora só vou deixar uma foto e um vídeo do Líam.
Desde o dia 17 que estou num período entre livros. Terminei o primeiro, que é um de contos. E já até sei qual é o segundo (um infanto-juvenil), mas estou aproveitando esse espaço pra deixar algumas coisas brotarem. E não é que isso é bom? Ontem, por exemplo, descobri uma coisa fundamental da minha personagem Iris, que faz parte do romance da Lúcia (e que só está previsto pra daqui uns 2 anos). A Iris deixou de ser o oposto da Lúcia, para ter história. E o romance começou a tomar corpo.
Além disso, estou aproveitando pra ler, porque quando estou engatada numa escrita, leio muito pouco. E é desde 4a feira passada que estou me deliciando com os contos da antologia Geração Zero Zero, organizada pelo Nelson de Oliveira. Já falei um pouco sobre ela lá no meu facebook, depois posso até colocar por aqui algumas das minhas impressões.
Nhinhinha é A menina de lá de Guimarães Rosa. Lisetta e Gaetaninho são de Antônio de Alcântara Machado, lá do Brás, Bexiga e Barra Funda.
Conheci Nhinhinha aos 17 anos. Me apaixonei. Virou meu conto preferido, e o é até hoje. Toda vez que releio, descubro algo novo. Lembro que há alguns anos, reparei no passarinho que desapareceu de cantar. E surpreendo-me com as falas dela, toda vez, quanta coisa em tão pouco. “Alturas de Urubuir…”, “A gente não vê quando o vento se acaba…”, “Eeu? Tou fazendo saudade.”
Aos 14 conheci Lisetta e Gaetaninho. Foi antes que me encantei com Lisetta, e morria de tristeza por Gaetaninho, que destino! Aquela linguagem do Alcântara Machado, o ritmo marcado, uma ação atrás da outra, tanta cena, tanto corte. Acho que aprendi a fazer cortes com ele, mas não foi naquela época não. Foi ano passado, mais ou menos. E foi assim por acaso, que não é por acaso de verdade. Desde aquela época, o ritmo ficou marcado em mim, e quando minha literatura começou a aparecer, esses cortes começaram a brotar.
Hoje reli esses dois, nossa, que maestria! Cada ponto final, cada palavra necessária para contar a história.
Da Lisetta:
“Quando Lisetta subiu no bonde (o condutor ajudou) viu logo o urso. Felpudo, felpudo. E amarelo. Tão engraçadinho.”
“Correu para o quarto. Fechou-se por dentro.”
E do Gaetaninho:
“Gaetaninho ficou banzando no meio da rua. O Ford quase o derrubou e ele não viu. O carroceiro disse um palavrão e ele não ouviu o palavrão.
- Eh! Gaetaninho! Vem pra dentro.
Grito materno sim: até filho surdo escuta.”
Se você ainda não conhece essas crianças, vale a pena. Nhinhinha está no Primeiras Estórias, procurei no Wikisource, mas não encontrei uma versão online por lá. Lisetta está aqui, e Gaetaninho aqui.
4a feira foi dia de passar pela cozinha. Primeiro, uma geleia de maracujá. Depois, um pão semi-integral defumado.
GELEIA DE MARACUJÁ
Ingredientes
4 maracujás orgânicos
6 colheres de chá de açúcar cristal orgânico
Modo de fazer
Colocar o maracujá numa panela, em fogo mínimo e mexer por uns 5 minutos. Colocar o açúcar e continuar mexendo. Pronto. Importante: não aumentar o fogo em nenhum momento, e ficar sempre mexendo.
Algumas coisas que você precisa saber:
A quantidade de açúcar vai depender da acidez do maracujá e de como você gosta da geleia. Eu gosto dela azeda, então coloco pouco.
Essa foi a receita como eu fiz, e no final fiquei com pouca geleia, então, faria diferente da próxima vez.
Variação
Mesmo modo de fazer, mas com ingredientes diferentes.
12 maracujás
12 colheres de chá de açúcar
30 ml de água
PÃO SEMI-INTEGRAL DEFUMADO
Ingredientes
2 xícaras de farinha branca orgânica
1 xícara de farinha integral orgânica
2 ovos caipiras
3/4 de xícara de leite de soja sem adição de açúcar ou adoçante (eu uso o Mais Vita para uso culinário)
2 colheres de chá de açúcar cristal orgânico
1/2 colher de chá de açúcar branco
30g de fermento (2 tabletes)
1 1/2 de café de sal
1 colher de chá das folhas do chá Lapsang Souchong
Modo de fazer
Fermento
Num pote, colocar o fermento, as 2 colheres de chá de açúcar cristal orgânico e 1/2 colher chá de açúcar branco. O açúcar branco vai reagir com o fermento, fazendo com que ele fique líquido. Vá amassando com garfo, e depois mexa com uma colher. Acresente uma colher de sopa de farinha de trigo e mexa novamente. Ele deve ficar assim.
No pilão
Coloque o chá no pilão, e amasse. Esse é um chá defumado, e é ele que vai dar o gosto ao pão. A receita funciona sem ele, e se você quiser, pode substituir por outros ingredientes, como gergelim ou castanhas moídas.
Numa bacia grande
Coloque toda a farinha, que deve ser peneirada. Coloque os dois ovos, o sal, o chá e depois o fermento. Comece a misturar, e vá aos poucos colocando o leite de soja, que deve estar morno. Misture bem. Veja se a massa está no ponto. Como eu sei se ela está no ponto? Se ela continua grudando na mão, mexa um pouco mais. Se mesmo assim ela continuar grudando, você precisa de um pouco mais de farinha. Vá colocando aos poucos e mexendo, até sentir que ela está no ponto. Se ela estiver muito seca, é preciso ir colocando o leite de soja aos poucos.
Sove bastante. Limpe uma bancada ou uma tábua, e jogue a massa várias vezes, isso faz com que ela fique mais fofa. Outra técnica que eu uso para sovar é segurar a massa em uma das mãos, e bater com a outra. Além da massa ficar fofinha, economiza tempo de ginástica (nem muito, na verdade, porque depois o pão vai ficar tão bom, que você vai repor todas as calorias só de comer!).
Deixando a massa crescer
Pré-aqueça o forno por cinco minutos, enquanto estiver sovando a massa. Coloque a massa numa bacia e cubra com um pano, deixe crescendo no forno desligado por 40 minutos. ATENÇÃO: o forno não pode estar muito quente, ou então ele irá cozinhar a massa!
Enquanto a massa cresce, unte as formas. Passe óleo nas bordas e no fundo, e depois jogue farinha.
A massa cresceu
Agora é só sovar mais um pouco, e colocar nas formas. Dependendo do tamanho da forma, pode ser que você só precise de uma, mas lembre, o pão vai crescer, então nunca coloque o pão até transbordar. O pão vai precisar crescer mais uma vez, então, é só cobrir as formas e deixar no forno por mais 30 minutos.
Agora é hora de ligar o forno
Depois que a massa cresceu pela segunda vez, é só ligar o forno. O meu ficou 10 minutos em fogo alto, e 15 minutos em fogo médio. O tempo pode variar, dependendo da consistência da massa e do forno. O ideal é sempre checar.
Como saber se o pão está pronto?
Espete um garfo no meio da massa. Se o garfo voltar limpo, é sinal que está pronto. Se voltar com pedaços de massa grudada, é sinal de que ainda precisa ficar mais um tempinho.
A melhor parte
Pegue uma manteiga, uma faca, corte o pão, passe a manteiga e coma!
“Não que eu seja especialista em assuntos do coração, mas entendo alguma coisa sobre música. Na música, você sempre aprende a tocar do modo tradicional, mas, às vezes, o modo não tradicional é o certo.”
Por quê não falar do coração?
Faz um ano e meio que assisti Segredos Íntimos, e tentei escrever sobre ele na época, mas o texto sempre empacava. Agora acho que entendo. O erro era tentar falar de uma maneira fria e distante. Se ele tocou o coração, é por aí que vou conseguir falar.
Tocou daquela maneira que não tem mais volta, que fez as lágrimas aparecerem nos meus olhos, mesmo neles, tão desacostumados desse ato.
Fez a respiração ficar presa algumas vezes.
Os soluços hesitarem.
O lábio se abrir num sorriso.
Lembro que na época pensei sobre como as verdades absolutas aparecem na nossa sociedade.
E sobre como pessoas imersas em culturas tão diferentes, podem ter sofrimentos tão parecidos.
Acho que é hora de reassistir o filme.
Ha-Sodot é um filme israelense de 2007, com as atrizes Ania Bukstein, Michal Shtamler e Fanny Ardant.
No caminho até a livraria, ela percebeu que ouvir Ute Lemper cantando Kurt Weil a deixava completamente aérea. Isso fazia com que tudo que estivesse dentro tentasse romper sua pele, em desesperados suspiros de liberdade.
Imagino que alguns de vocês estejam se perguntando: “fort-da”? Devo uma explicação para aqueles que não estudam (ou nunca estudaram) psicanálise; ou então, que não falam alemão.
Do alemão, fort significa ausente; da significa aqui, cá. Traduzindo literalmente, “fort-da” seria “ausente-aqui”. Como dizemos em psicanálise, trata-se de um jogo de ausência e presença. Uma de suas formas é o tão conhecido “cadê? Achou!”, que costumamos jogar com bebês e crianças pequenas. Escondemos o rosto do bebê e perguntamos “cadê o bebê?”. Depois, descobrimos seu rosto, permitindo que ele nos veja, e, vendo-o descoberto, exclamamos: “achou!”.
Presenciei esse jogo com meu afilhado, pela primeira vez, há pouco mais de uma semana. Estávamos todos sentados no chão, quando Líam, com seu primeiro ano recém completo, engatinhou para trás do sofá. Sua mãe olhou para mim e disse: “pergunta aonde ele está”. Eu logo entrei no jogo dizendo “ué, cadê o Líam?”. Repeti algumas vezes, até que ele colocou a cabeça para fora do sofá, com um sorriso de orelha a orelha, dizendo algo que indicava que ele estava lá.
Repetimos esse jogo inúmeras vezes durante os dias que passei por lá.
Depois de muito repetir, ficou mais claro que o que ele dizia era “dá dá dá dá!”, com ênfase em todos os sons. Para mim era mera “lalação” em que ele me contava aonde estava.
Eis que alguns dias se passaram, e eu, a madrinha (coruja, sem dúvida), recém formada psicóloga, e, às vezes, estudante de alemão, me dei conta do ocorrido. Vejam só que brilhante. Eu perguntava aonde ele estava, e ele me respondia, “cá!”.
Meu afilhado fala alemão!
(uma crônica que escrevi no início do ano passado, e que foi postada no meu antigo blog)
… What I’ve got they used to call the blues
Nothing is really wrong
Feeling like I don’t belong
Walking around some kind of lonely clown
Rainy days and Mondays always get me down …
Estou escrevendo a história de Patinho. É pro meu livro “Seis anos”. Ele vai ficar lá do lado da Mariinha, e também do Tom, da Rafaela, da Sofia, de tantos outros.
E agora o livro tem data pra ficar pronto, dia 17 de junho, pra mandar pra um concurso. Falando em concursos, me arrisquei na semana passada, e mandei um conto para o prêmio OFF FLIP. Deu um frio na barriga, uma travada na hora de reescrever o conto, porque estava chegando a data limite de envio. Mas sentei, e não levantei da cadeira enquanto o conto não estava devidamente reescrito.
E sabe o que mais? Ando escrevendo uns fragmentos da história da Lúcia. E o que me fez enxergar a estrutura da narrativa foi a leitura de Flores, do Mario Bellatin. Há anos tentava enquadrar a Lúcia num modelo de narrativa linear, e a história sempre empacava. Até que percebi que ela nunca andaria desse jeito. Já que só pode ser formada com fragmentos.
Semana passada defini meu livro de estreia. Sem mais essa coisa de mil projetos ao mesmo tempo. É claro que eu não consigo escrever só uma coisa, então tive que fazer uma negociação comigo mesma. Escolho uma prioridade, e um outro pra mexer de vez em quando. E o critério de escolha, qual foi? Quem me chamou mais alto. É, escritor é mesmo um bicho esquisito. Eu pelo menos sou, e alguns personagens andaram dizendo “ei Julia, olha pra mim, eu quero falar com mais gente!”. Aí ouvi, e deu nisso:
O primeiro são meus contos. As crianças, como diria o Marcelino. E uma delas já está por aqui, a Mariinha. Acho que ela foi a terceira, e já tenho assim umas 10 crianças. E sobre o que são? Sabe quando você abaixa pra conversar com uma criança, pra ficar da altura dela? Meus contos são isso.
E o segundo? Não necessariamente o segundo a ficar pronto, mas um em que estou trabalhando aos poucos. Um romance, com um menino que tinha um hábito não muito comum. Qual era? Surpresa.
O livro infantil? Eu esqueci? Não. Preciso é criar vergonha na cara e terminar de contar logo essa história, mas confesso, apesar de escrever sobre crianças, escrever pra elas é difícil pra caramba!